Swami Tapovan Maharaj

Swami Tapovan nasceu em Palghat (hoje denominada de Palakkad),
Kerala, em 1889, no dia auspicioso de ekadashi (o décimo primeiro
dia da quinzena lunar brilhante) do mês Margashirsha ( que no
sul da Índia vai do início de dezembro, por volta do dia 6, até
o início de janeiro, por volta do dia 4).
Sua mãe, Kunchamma, pertencia a uma família aristocrática de
Kerala, a família Nair de Palghat. Seu pai, Achutan Nair, era
de Kotuvayur, Kerala.
O bebê que nasceu para esses pais foi chamado de Subramanian
Nair, mas seu apelido era Chippukkutty. Desde pequeno Chippukutty
mostra grande interesse por assuntos religiosos e espirituais
e se interessa pelas estórias dos Puranas. Quando entra para a
escola inglesa local, mostra inteligência e capacidade de aprendizado,
mas ao mesmo tempo desinteresse pela forma que as escolas ensinavam.
Logo ele resolve pedir ao pai para deixar a escola, mas para seguir
os estudos de forma tradicional, com professores particulares.
E assim faz até seus 17 anos e dedica-se ao estudo de Vedanta,
lingüística e literatura tanto em sua língua mãe, Malayalam, quanto
em Sânscrito, e aprende também o inglês. Estuda poesia, peças
teatrais, gramática e lógica. Encanta-se com a leitura de textos
religiosos em Malayalam, Tamil, Sânscrito e Inglês. Pratica muitas
disciplinas espirituais. Desde pequeno vive uma vida comum aos
renunciantes espirituais, dedicada à meditação, estudos, reflexão,
bhajans; não se interessava por prazeres do mundo.
Os pais de Chippukutty faleceram antes de ele completar 21 anos.
Ele então assume a responsabilidade de cuidar do irmão até que
este tenha se formado e esteja casado. Chippukutty vive com a
família, mas sua vida tinha o constante foco espiritual. Ele se
nega a casar, apesar da pressão da família. Sempre que podia visitava
swamis e yogis e estudava com eles.
No ano de 1912 ele foi editor de uma revista chamada "Gopala
Krishna", dedicou-se a palestras públicas sobre política, religião
e Vedanta, e escrevia artigos para jornais. Ele era muito respeitado
pelos jovens de sua idade e também pelos mais velhos. Essas atividades
acontecem até seus 28 anos. Então ele perde o interesse e dedica-se
exclusivamente ao assunto religioso-espiritual. Suas viagens são
para encontrar sábios e santos como Sri Ramana Maharshi em Tiruvannamalai,
Tamil Nadu e o chefe da Ramakrishna Mission em Chennai, entre
outros.
Em 1920 ele foi convidado pelo então Sankaracharya de Sarada
Peetham, Dwaraka, para passar um tempo em Calcutá a estudar e
meditar. Ele aceita imediatamente o convite e vai. De lá segue
para Haridwar e Rishikesh e no caminho de casa visita Delhi, Mathura,
Brindavan, Pushkar e Dwaraka. Essas viagens mudam completamente
sua vida. Ele aprecia a solidão das florestas e montanhas; faz
muito jejum ou se alimenta somente uma vez ao dia; estuda os shastras,
medita e canta bhajans. Os anos se passaram e seu irmão se forma
em direito, então o jovem Chippukutty prepara-se para sair de
sua casa em Kerala e dedicar-se exclusivamente à vida espiritual.
Quando ele viaja, seu irmão pede que ele volte logo, mas ambos
sabem que não haveria retorno.
Ele vai para Panchavati, perto de Nasik, onde permanece por
algum tempo com um mahatma chamado Swami Hridayananda. Então ele
segue para a margem do rio Narmada e assume a vida de um renunciante.
Segue então sua peregrinação e dirige-se a Prayag e depois a Ayodhya,
também na companhia de mahatmas. Depois vai para Rishikesh e lá
permanece durante algum tempo e pratica samadhi; é formalmente
iniciado na ordem de sannyasa pelo chefe do Kailas Ashram, Sri
Swami Janardana Giri, e chamado de Swami Tapovanam (que significa
floresta de austeridade).
Ao permanecer em Rishikesh, durante o verão ia até Uttarkashi,
a pé. Suas peregrinações a vários lugares nos Himalayas são descritas
em seu livro "Wandering in the Himalayas". Ele visitou também
o monte Kailasa e monastérios tibetanos. Essas viagens são contadas
no livro "Kailas Yatra".
Em 4 ou 5 anos de sua permanência em Rishikesh, Swami Tapovan
tornou-se muito conhecido. Ele ficou famoso devido a sua dedicação
ao conhecimento e capacidade de desapego e sacrifício. Muitas
pessoas foram atrás dele e ofereceram seus serviços, porém Swamiji
continuou sua vida só e sempre saia de Rishikesh assim que o clima
permitia pois achava que a cidade de Rishikesh estava muito agitada.
Ele nunca desceu além de Rishikesh, apesar de receber inúmeros
convites de devotos ricos. Uttarkashi, Gangotri e Badrinath eram
seus lugares favoritos. Alguns poucos estudantes o acompanharam
desejosos de escutar seus ensinamentos de Vedanta.
Swamiji escreveu vários livros, inclusive um de poemas na ocasião
da morte de seu pai. Escreveu comentários sobre algumas Upanishads,
como Isha, Kena e Katha. Escreve vários hinos em Sânscrito e,
a pedido de devotos, escreve também em Sânscrito sua autobiografia
"Iswara Darshana". Os escritos de Swamiji são inspiradores e pontuados
por ensinamentos de Advaita Vedanta. Seu livro "Wandering in the
Himalayas" é poético e especialmente inspirador por seu amor pela
natureza e a apreciação de Ishvara em cada expressão da natureza
admirada por ele em suas peregrinações.
Swami Tapovan foi um grande sábio de Advaita Vedanta e sua vida
continua a nos inspirar até hoje. Viveu uma vida tranqüila de
disciplina e rigor, imposta a si mesmo e a seus discípulos. Ao
mesmo tempo tinha compreensão e compaixão por todos que entravam
em contato com ele. Permaneceu às margens de Ganga e peregrinando,
a pé, pelas montanhas dos Himalayas.
Com o tempo, a saúde de Swamiji foi declinando, mas ele nada
disse. Os discípulos vieram a saber somente quando seu corpo já
havia perdido muitos quilos. Ele continuou durante toda sua vida
com suas disciplinas e nunca aceitou tratamento nem tampouco a
ida para um hospital. Dizia que seu corpo seguiria sua própria
trajetória natural. Vários devotos e mahatmas foram visita-lo
em Uttarkashi. No dia 16 de fevereiro de 1957, na hora auspiciosa
de Brahma-muhurta, Swamiji entrou eternamente em samadhi. Era
um dia auspicioso. Dia do festival anual no templo de Viswanath
em Uttarkashi. Neste dia, devotos e mahatmas de toda parte da
India vão para este templo. Os devotos e discípulos de Swamiji
jogaram água de Ganga em seu corpo, passaram pasta de sândalo
e vibhuti no corpo, decoraram com guirlandas de flores e o depositaram
nas águas de Ganga. Aqueles que participaram deste ritual banharam-se
a seguir na sagrada Ganga cheios de devoção e homenagem ao Swamiji.
Não só sua vida foi especial, como também foi o momento e o lugar
de seu samadhi final.
Algumas imagens de Sri Swami Tapovan:
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