O Cidadão Universal

Swamini Pramananda Saraswati e Sri Dhira Chaitanya

Um ser humano é apenas um ser a mais entre os muitos seres vivos nesse planeta. Mesmo que os seres humanos dividam muitas características com todos os outros seres vivos, cada indivíduo é único.

Nascemos nesse mundo sozinhos, vivemos uma vida que é bem pessoal e partimos como um viajante passageiro. Durante essa jornada da vida, juntamos muitas experiências e interagimos com uma variedade de pessoas. Temos a companhia de companheiros de percurso por diferentes períodos de tempo, com quem dividimos experiências em vários níveis de intimidade.

Como um viajante da vida, ganhamos uma identidade de nós mesmos como indivíduo e ao mesmo tempo como membro de um grupo particular. Ter uma identidade dentro do grupo e pertencer a um grupo de referência, um grupo da comunidade, um grupo ético, um grupo racial etc., parece ser tão importante quanto saber quem se é, do seu próprio ponto de vista.

A experiência cultural da pessoa tem um papel definitivo na formação da identidade de cada um. Nascer e viver entre pessoas com uma certa descendência dá consistência em termos de valores, filosofia de vida, estilo de vida e costumes. Entre você mesmo e a sociedade próxima existe uma comunhão cultural que dá a você um sentimento de pertencer a um grupo maior. Dá também a você um certo enraizamento com o passado histórico da sua cultura.

Viver numa cultura radicalmente diferente da sua própria pode normalmente resultar em sentimentos de desenraizamento. Depois, pode dar lugar à confusão em relação a valores, prioridades, objetivos e comportamento, levando a pessoa a uma perturbação interior e à angústia.

Alcançando o sucesso
O conceito moderno de sucesso é visto em termos de realizações materiais. Por isso, a maioria das pessoas luta para conseguir uma casa, um carro, imóveis e outras coisas, que lhes dê mais conforto e um maior status social. Elas também vêem o sucesso como algo que possam obter através do dinheiro e poder. Princípios como liberdade, justiça e igualdade existem para todos que querem alcançar o sucesso. Enquanto qualidades como honestidade, integridade, compaixão e generosidade são valorizadas, elas podem ser comprometidas, se necessário, para obter um determinado fim.

A cultura védica valoriza muito o crescimento pessoal que esteja de acordo com os valores universais. A cultura e o estilo de vida de um povo refletem o compromisso da convivência com esses valores. Aquele cuja vida é a expressão desses valores universais ganha o mais alto respeito de sua própria cultura assim como da comunidade global. Na cultura védica, uma pessoa assim é tida como a mais bem sucedida.

Aquele que nasce e cresce no contexto da cultura védica, que tem suas raízes na visão védica, é obrigado a ter certas atitudes em relação ao mundo e a si mesmo. Quando esse indivíduo vai viver no Ocidente ou numa sociedade ocidentalizada, ele se vê enfrentando valores conflitantes, tanto em termos de sociedade quanto em termos de cultura. Prioridades e objetivos não são mais tão bem definidos como são na Índia.

Liberdade interior
A religião védica não vê o ser humano como sendo uma pessoa desamparada, que precise ser salva, mas como uma pessoa que é essencialmente livre de qualquer forma de limitação. Cada indivíduo tem a capacidade de descobrir essa liberdade centrada em si mesmo, primeiro se tornando uma pessoa comprometida em termos de valores e então ganhando o conhecimento sobre si mesmo. Esse objetivo de vida traz muita motivação para a vida de cada um de nós.

Os Vedas nos oferecem um estilo de vida para ganhar essa liberdade interior. De fato, o ensinamento védico leva cada um a descobrir a si mesmo, livre de limitações, impostas até pela sua própria cultura. A cultura ajuda cada um a se transformar num ser completo que não é mais limitado pela sua forma mesmo quando se continua a tê-la.

Se não há tal liberdade numa determinada cultura religiosa, os indivíduos dentro dessa cultura se vêem obrigados a ser dogmáticos e também intolerantes com outras culturas. Eles achariam difícil encarar sem medo qualquer forma de cultura ou crenças que não lhes sejam familiares.

Apesar dos Vedas falarem sobre paraíso, eles não dizem que ir para o paraíso é liberdade porque a liberdade é você mesmo. De acordo com os Vedas, o que separa você de você mesmo é a auto-ignorância. Por conseguinte, existe uma tradição de ensinamento que ajudar você a se descobrir. Essa tradição continua a viver sem interrupção, através da uma linhagem de professores ilustres.

Quando se é embebido da visão e estilo de vida védicos, ganha-se uma estrutura emocional estável, pronta para absorver as virtudes da liberdade individual, da justiça e do trabalho árduo, que são os distintivos da sociedade ocidental. Dessa maneira, o indivíduo que se beneficia tanto da cultura védica quanto da cultura ocidental é, de fato, um cidadão universal.

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Do livro Purna Vidya - Vedic Heritage Teaching Programme Part 10
Human Development and Spiritual Growth
Swamini Pramananda Saraswati e Sri Dhira Chaitanya
Disponível pelo Vidya Mandir ou pelo site www.purnavidya.org


Tradução de Angela Andrade

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