Jiva, um buscador
Swami Viditatmananda*
Tradução: Lucia
Arieira
Descobrir harmonia no mundo é
descobrir a verdadeira natureza do mundo.
Consequentemente, a natureza de meu relacionamento com o mundo
e como devo transacionar com o mundo devem ser compreeendidos.
Vedanta diz que este indivíduo
limitado é em si mesmo Brahman, o ilimitado. Eu assumo ser infeliz
ou limitado mas, na realidade, eu sou da natureza de plenitude
ou ananda; isto é o que Vedanta diz. Este ilimitado, esta imortalidade
que você está procurando é na verdade sua própria natureza. Não
deve haver de maneira alguma conflito na vida. Não deve haver,
de maneira alguma infelicidade. Eu já sou ilimitado. Sou imortal.
Sou da natureza da plenitude. O que necessito na vida é nada.
Se pudesse realmente entender e recolhecer o que Vedanta revela
sobre mim mesmo, a vida seria maravilhosa, sempre uma fonte de
alegria. Este não é o caso no momento. Eu não sou capaz de reconhecer
minha natureza. Já que já sou imortal, já que já sou ilimitado,
não há nada de que necessito na vida. Tudo que necessito já está
em mim.
Então, o que tenho que fazer para
reconhecer minha verdadeira natureza? Tenho que me livrar de algo.
Alguns obstáculos me impedem de me experienciar como saccidananda.
Não é uma questão de adquirir algo que não tenho. É uma questão
de me livrar de algo que falsamente coloquei sobre mim mesmo.
Este senso de limitação, senso
de estar tolhido, senso de estar dependente é falso e somente
isto tem que ser abandonado. Este é o significado da vida. Hoje
minha vida está resumida somente a adquirir coisas. Adquirindo
riquezas, adquirindo posses, adquirindo nome e fama e poder e
posses que são limitadas e insignificantes, estou tentando preencher
o oceano que já está preenchido.
O professor das Upanisads
nos diz para não nos incomodarmos com estas pequenas coisas. Já
estamos preenchidos e portanto não precisamos perder nosso tempo
e energia adquirindo o que temos. Ações, filhos ou riquezas não
podem me preencher, eu sendo aquele que já está preenchido. Deixar
de lado todas as falácias, teorias, senso de limitação, é tudo
o que é necessário. Eu já sou o décimo homem.** Eu achava que
o décimo homem estava perdido mas não está. Eu mesmo sou o décimo
homem que esqueci de contar. Então o que tem que ser feito para
achar o décimo homem é somente deixar de lado a idéia de que o
décimo homem está perdido. Eu já sou aquela pessoa que procurava.
Se isto for compreendido venho a descobrir com certeza que nada
é necessário ser adquirido na vida. A vida não é para adquirir
coisas, é para se livrar da ignorância, se livrar das ragas
e dvesas, paixões e repugnâncias, gostos e aversões, que
na verdade negam o que sou. Livrar-se deles chama-se tyaga,
renúncia. Tyaga significa renunciar àquilo que é falso,
que é inútil. Para um ser humano inteligente, que compreendeu
este fato sobre a vida, a vida é agora para se livrar de coisas,
renunciar, servir. De repente, quando esta abordagem de Vedanta
é compreendida, não quero mais ser servido pelo mundo: eu agora
começo a servir o mundo. Continuo a realizar ações como antes,
não para adquirir algo que não tenho mas para me livrar de coisas
que tomei falsamente sobre mim mesmo. Isto é feito servindo ao
mundo como o Senhor, sabendo que o Senhor e eu não somos diferentes,
que todo ser humano, todo ser vivo é essencialemente Deus, que
o Senhor permeia todos os nomes e formas. E tudo o que posso servir,
enquanto há Isvararpana buddhi (atitude de oferecimento
ao Senhor) é o serviço do Senhor.
Então
o que um estudante de Vedanta faz? Ele não procura nada na vida.
Ele quer servir. Ele dedica sua vida para o mundo e não para si.
Ele também come o mesmo khicadi e capati que comemos.
Faz os mesmos trabalhos com os mesmos instrumentos disponíveis
a todos. Senta-se da mesma forma, anda da mesma forma, come da
mesma forma e fala também da mesma forma que nós. Então qual é
a diferença? A atitude é diferente. Ele passa a andar não para
si mesmo, mas para o Senhor. Comer não para si mesmo, mas para
o Senhor. Qualquer coisa e tudo o que faz não é para si mas para
o Senhor.
*Swami
Viditatmananda foi colega da Profª Gloria Arieira no 2º Curso
de Vedanta ministrado pelo Swami Dayananda Saraswati, em Sandeepany,
Bombay, India. É muito apreciado por suas aulas no estado de Gujarat,
no Norte da Índia, onde vive. Na ausência de Swami Dayanandaji
no ashram dos Estados Unidos, ele é o Acarya, Mestre responsável.
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De acordo com a estória do Décimo Home@m, dez jovens discípulos
de um Guru queriam fazer uma viagem até a próxima vila. O Guru
alertou ao líder do grupo para tomar cuidado ao cruzar o rio cheio.
De fato o rio estava muito fundo para atravessar e todos tiveram
que atravessar a nado. Do outro lado, o líder contou os companheiros
para se certificar de que todos chegaram do outro lado com segurança.
Por muito tempo eles procuraram pelo décimo homem que faltava
até que um sábio que passava mostrou que o líder havia esquecido
de contar a si mesmo.
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