MOKSHA
A palavra moksa significa "liberação". Deriva da raiz moks,
que quer dizer "liberar". Moksa é o fim que cada ser humano
deseja realizar, esteja ele ciente disso ou não.
Moksa refere-se à liberação das limitações que a pessoa
sente em termos de existência, conhecimento e felicidade. Todos
desejam existir para sempre. Esse desejo de libertar-se da mortalidade
manifesta-se numa grande variedade de modos no nosso mundo do
dia-a-dia; desde planos de aptidão física e modos de alimentação
natural até a indústria de um bilhão de dólares de cremes e loções
de beleza - tudo isso são tentativas para aumentar a longevidade,
para afastar a morte. Acresce, ainda, o fato de que , desde a
infância, possuimos uma curiosidade insaciável de conhecer coisas,
o que revela o desejo universal de ser livre da ignorância que
limita o conhecimento. E, ainda, cada individuo, com objetivos
muito variados, esforça-se continuadamente para assegurar uma
felicidade duradoura para si mesmo, traindo o desejo universal
de se livrar do senso de limitação que a infelicidade traz.
Não podemos desejar algo que é totalmente desconhecido por nós;
assim, a libertação da mortalidade, da ignorância e da infelicidade
não pode ser totalmente desconhecida. De fato, esta libertação
é experiencialmente co-nhecida por nós num momento de alegria
ou no sono profundo. Contudo, um sentido temporário da libertação,
conforme ela é vivenciada num momento de alegria, apenas poderá
saciar temporariamente o desejo por libertação. A liberação permanente
da limitação é a meta última de cada um.
Se a liberação deve ser permanente, então ela não poderá ser produzida
por meios determinados, porque tudo o que é produzido está submetido
ao tempo e à destruição. Assim, a liberação permanente tem que
ser um fato já realizado. Nossa realização já deve estar em nós
mesmos; temos apenas que reconhecê-la.
Podemos ir muito longe para fora de nós mesmos e gastar muita
energia na busca da realização, mas nossa jornada estará sendo
feita na ignorância e não nos trará mais perto do nosso objetivo,
dizem as Upanisads, porque moksa já é a nossa natureza
verdadeira. Nossa infelicidade e senso de limitação residem no
fato de não reconhecermos isso e em considerarmos erroneamente
a liberação como algo exterior a nós. Nossa busca termina na compreensão
de que o buscador é a busca, de que aquele que busca a liberação
já é por natureza livre. Nas palavras do Sivagita (XIII:32):
"Moksa não se encontra em um lugar determinado, nem é preciso
ir a alguma outra cidade para obtê-la; a liberação consiste na
destruição da ignorância, que é o nó do coração"
(Extraído da revista
"Mananam", v.5 nº.4, out.1992, do Chinmaya Mission, California,
EUA)
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