A Pessoa Sábia
Swamini Pramananda Saraswati e Sri Dhira Chaitanya
O ser humano é dotado de capacidade de escolha, que não tem
paralelo com nenhuma outra forma de vida na terra. Essa capacidade
permite a busca individual por alguma coisa significativa na vida.
Na cultura védica, aquilo que é considerado mais profundo e valioso
é a sabedoria, que refere-se à identidade entre o indivíduo e
o Senhor.
Escolhendo o Profundo
Um determinado ser humano está sempre disposto a desistir de algo
que é menos profundo por algo que seja mais profundo. Por exemplo,
a comida é útil para aplacar a fome, e é, portanto, uma necessidade
básica. No entanto, quando se está perturbado, podemos não comer
mesmo estando com fome. Nesse momento, a emoção, mais profunda,
se sobrepujou a uma necessidade física. Para ir mais além, todos,
num momento ou em outro, já subjugaram sentimentos por ideais
ou princípios. Há muitos exemplos na história quando pessoas sacrificaram
confortos físicos ou necessidades emocionais por ideais tais como
liberdade, justiça e igualdade. Não é incomum encontrar uma pessoa
abrindo mão de todas as suas posses e passar por privações para
chegar à resposta para questões profundas, tais como a causa da
dor e o propósito da luta humana.
A busca por algo profundo, que dará significado à vida de uma
pessoa e propósito à existência humana, é reconhecida na herança
védica como a expressão de uma natural urgência de ser livre.
Animais e outros seres vivos parecem viver suas vidas naturalmente,
sem queixas nem sentimentos de inadequação. É somente o ser humano
que é incapaz de aceitar limitações de qualquer forma. Qualquer
coisa que seja menos do que a total liberdade de limitação é inaceitável.
A pessoa que alcançou essa liberdade é vista na tradição védica
como uma pessoa sábia, um jñani.
Reconhecendo um Jñani
Como se reconhece uma pessoa sábia? Não é tarefa fácil. Assim
como é necessário conhecimento para determinar o quanto uma outra
pessoa conhece, é necessário sabedoria para reconhecer uma pessoa
sábia. Na Bhagavad Gita, Arjuna pergunta ao Senhor Krishna
essa mesma pergunta. Entendendo o valor de ter esse conhecimento,
ele quer saber as características externas específicas da pessoa
sábia, como ela se senta, fala, anda, etc.
O Senhor Krishna é incapaz de descrever qualquer característica
externa porque tais características não tornam uma pessoa sábia.
Só a sabedoria faz uma pessoa sábia. Ele responde as perguntas
apontando os valores que se precisa cultivar e as disciplinas
que se precisa seguir para ganhar maturidade emocional e uma mente
livre de conflitos. Ele também mostra como uma pessoa com uma
mente relativamente livre de conflitos é capaz de chegar ao auto-conhecimento.
O jñani é também chamado de sthita-prajña,
o que significa, aquele que está firmemente estabelecido no auto-conhecimento.Tal
pessoa tem um conhecimento claro de ser livre de qualquer limitação
e está, portanto, feliz consigo mesmo. Nada pode ser adicionado
ou subtraído de sua completude. Esse indivíduo está, também, em
harmonia com todo o universo. Todos os valores universais encontram
sua expressão plena numa pessoa como essa. Enquanto interage com
o mundo, ela é naturalmente serena e espontânea em todas as suas
ações.
Todo ser humano é um sthita-prajña se ele não é
ignorante quanto a si mesmo. O que o faz não enxergar esse fato
é a ignorância acerca de si mesmo. O auto-questionamento, com
a ajuda de um professor, deve dispersar essa ignorância, se a
pessoa tem uma mente preparada. A cultura védica prepara a mente
da pessoa para chegar ao auto-conhecimento, dando-lhe uma estrutura
na qual ele pode amadurecer. A tradição védica de ensinamento
comunica esse auto-conhecimento a essa pessoa madura que o busca
e o faz reconhecer a natureza livre e ilimitada de si mesmo. A
cultura védica e a tradição do ensinamento têm como objetivo levar
o ser humano à sua última destinação.
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Do livro Purna Vidya - Vedic Heritage Teaching Programme Part
10
Human Development and Spiritual Growth
Swamini Pramananda Saraswati e Sri Dhira Chaitanya
Disponível pelo Vidya Mandir ou pelo site www.purnavidya.org
Tradução de Angela Andrade
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