Meditação

Sudha Naimpally

Ao invés de meditar com uma atitude de separação (como “Eu sou diferente do Senhor”), a apreciação não-dual “Ele sou Eu” purifica - esta é a visão (da Sruti).

(Ramana Maharsi - Upadesa Saram 8)

Toda a adoração e orações começam com uma atitude de dualidade, “Eu sou um indivíduo oferecendo adoração ao Senhor”. Isto está bem e traz resultados. Porém, Ramana diz que a melhor atitude para adoração e preces é a de não-dualidade. Mesmo enquanto adorando ou meditando, deve-se ter a não-dualidade como base.

Na ciência, toda a pesquisa está direcionada para encontrar o que é comum. Então, se a meditação de alguém é “Eu sou o Senhor”, então a meditação, por ela mesma, é o fim e nada mais é necessário. Esta é, na verdade, a mais alta meditação.

Meditar nas glórias do Senhor está certo se isto for baseado na certeza da unidade intrínseca entre o meditante e o Senhor. Suponha que eu seja incapaz de ver a identidade do Senhor comigo mesmo; ao invés disso, eu vejo o Senhor como onipotente, onisciente e onipresente. Então o Senhor torna-se o objeto de minha adoração. Neste estágio, eu posso aceitar a identidade básica por causa da fé nas escrituras e no seu ensinamento.

Experencialmente, eu tenho um senso de unidade, no sono, alegria, ou amor por outra pessoa. No amor, há fusão de alguém com o objeto do amor. Há entrega e consequentemente alívio das limitações. Esta unidade experiencial é o que é chamado realização de Deus. É porisso que sempre é dito que “Deus é amor”. Quando alguém fala de unidade, isto pega você porque você tem uma experiência anterior básica de unidade. Fusão com o Senhor é bhakti onde todo o problema cessa. Isto é liberação. Ponha tudo - mesmo um mosquito - no Senhor.

Então a atitude na meditação deveria ser uma atitude de intrínseca unidade. Se esta atitude está fundamentada na fé, isto vai levar a um resultado. O Senhor mandará um guru que explicará tudo. Ramana diz que esta atitude de não-diferença é superior a uma atitude de diferença e mais ainda isto é aceito pelas escrituras e confirmado pela imediata experiência do sábio.

O ensinamento central das escrituras é a apreciação do indivíduo como não separado da criação, que é, na verdade, o Senhor. Então é igual à criação que é igual ao indivíduo. Meu corpo, mente, órgãos dos sentidos e meu senso de “Eu” estão incluídos na criação, que não é nada além do Senhor e o Senhor é essencialemente consciência, que sou eu mesmo. Então eu não sou mais um indivíduo limitado. Este é o ensinamento mais sagrado.

(Tradução: Manoel Ferreira)

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