O valor dos valores
Sumita e Sundar
Ramaswamy
O crescimento físico é comum a todas as formas de vida: plantas,
animais e seres humanos igualmente. Além do crescimento físico,
o ser humano é abençoado com a capacidade de crescimento emocional
e maturidade. Maturidade é a medida de auto-consciência própria
e auto-identificação e guia o próprio pensar e as interações da
pessoa no mundo.
O crescimento físico ocorre naturalmente com a passagem do tempo.
Para amadurecer fisicamente é necessário somente sobreviver e
permanecer saudável. Não se pode dizer a mesma coisa em relação
ao crescimento emocional. A maturidade emocional é influenciada
por vários fatores, inclusive a compreensão dos valores, das atitudes
e da sociedade em que se vive.
Universalidade dos valores
Valores universais não são aprendidos e são comuns a todos. Existe
uma similaridade na reação de qualquer pessoa quando magoada,
enganada, para quem se mente e que é maltratada. Padrões éticos
têm sua base no consenso humano sobre o que é uma conduta aceitável.
Este consenso não é negado pelo fato de que as normas podem estar
sujeitas a interpretação em algumas situações. Assim, as normas
para o que é uma atitude adequada têm como base uma regra de ouro:
faça com os outros como você gostaria que fizessem com você. As
normas éticas não são somente arbitrárias, regras feitas pelos
homens, mas originam-se de uma consideração comum e inerente pelo
interesse e conforto próprio. Padrões éticos são naturais e universais.
Podem existir variações culturais na expressão desses valores,
mas possuir esses valores como expectativas mútuas é universal.
Esses valores universais são conhecidos como samanya dharma. Eles
são a base para a ética do bom-senso.
Dharma e conflito
Em todas as interações humanas, o dharma entra em jogo e não pode
ser evitado. Em geral, aplicam-se valores universais na formação
de expectativas de como alguém será tratado pelos outros, mas
não aplica necessariamente os mesmos valores para si mesmo.
O comportamento de um indivíduo é guiado pelos seus próprios valores
pessoais que são uma expressão subjetiva dos valores universais.
O valor universal pela verdade oferece um bom exemplo de um padrão
geral que é freqüentemente apenas meio assimilado. Uma pessoa
honesta pode escolher mentir para o cobrador de impostos para
evitar pagá-los. Aqui, o valor pessoal para o ganho monetário
excede em peso o valor universal pela verdade.
Sempre que os valores e a conduta pessoais vão contra um valor
universal, há um potencial para conflito na mente. Ninguém pode
estar confortável com uma mente cheia de culpa e conflito. Uma
mente perfurada com conflito não é uma mente preparada para aprender
e amadurecer. Fazer escolhas de acordo com os valores universais
minimiza os conflitos e proporciona um crescimento interior. Valores
universais são parte de uma ordem existente na criação que não
é separada de Isvara. Viver uma vida dharmica de acordo com essa
ordem é viver em harmonia com o Senhor.
Assimilação de valores
Quando valores universais são bem compreendidos, os valores pessoais
podem conflitar com eles e sobrepujá-los. Como falado antes, o
valor de um indivíduo pela verdade pode se subjugar ao valor pessoal
pelo dinheiro. Na mente do indivíduo, o valor pelo dinheiro está
bem assimilado, mas o valor pela verdade é somente meio assimilado.
Valores universais, tais como falar a verdade, só se tornam valores
pessoais assimilados quando se reconhece a perda imensa em fazer
concessão a eles.
Quando um valor torna-se pessoal, não se tem que pensar mais nele.
A conduta exigida por um valor pessoal torna-se o que a pessoa
faz sem refletir. Para a pessoa que compreendeu e assimilou o
valor dos valores universais, as ações tornam-se espontâneas e
sem escolha.
Texto de Sumita
e Sundar Ramaswamy inspirado no livro "O valor dos valores" de
Swami Dayananda.
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