Auto-conhecimento

Michael Comans

Assim como as trevas só podem ser dissipa das pela luz, da mesma forma, a ignorância de si mesmo só pode ser removida pelo seu oposto, o auto-conhecimento. Nós nos vemos, entretanto, em situações cotidianas que demandam ações, que nos exigem constantes responsabilidades. Ação é sinônimo de vida, mas se as ações não podem remover a ignorância de quem sou, qual deve ser então minha atitude em uma vida aonde a ação é inevitável?

A pessoa que possui o conhecimento de Brahman compreende que não faz qualquer ação em tempo algum, posto que, na verdade de si mesmo, Consciência, não há jamais qualquer movimento. Krsna explicou isso na Gita e agora mostra a atitude correta de um buscador deste conhecimento. Esta pessoa esteve exposta ao ensinamento, mas requer tempo para ultrapassar os obstáculos que impedem a clara compreensão. Como esta pessoa deve viver? Assim como qualquer outra, a pessoa que busca este conhecimento executa ações físicas, usa seus órgãos dos sentidos e pensa; ela não deixa de possuir suas faculdades naturais. Qual a diferença entre ela e qualquer outra? O buscador do Conhecimento executa ações “apenas com corpo, mente, sentidos e intelecto, abandonando o apego”. A palavra “apenas” é significativa quando se compreende que a ação é realizada sem o apego usual ao seu resultado. O karma yogi age com uma atitude diferente daquela de uma pessoa comum. Ele aceita graciosamente os resultados das ações como alguém receberia qualquer oferenda (prasada). Quando uma ação produz o seu resultado esperado, o yogi não bate no teto em euforia. Se ocorre o oposto, ele não cai ao chão em depressão. Esta atitude é psicologicamente sadia já que a pessoa para de condenar-se e a harmonia da mente é obtida. Há uma liberação gradual da prisão dos gostos e aversões e assim a mente torna-se receptiva e pronta para o ensinamento.

Eu posso agir, não para apropriar-me dos resultados, mas com a decisão: “Isto não é para mim. Eu ofereço os resultados ao Senhor”. Em qualquer que seja a situação em que eu me encontre, eu dedico a ação ao Senhor e então o meu trabalho ganha uma outra dimensão. O trabalho não mais limita. Através de minha atitude transmutada, ele torna-se um meio para a aquisição de uma mente calma, alerta e relativamente livre dos antigos e habituais padrões de pensamentos. Esta atitude transforma minhas ações cotidianas. A vida se torna mais simples, ela ganha uma nova beleza. É a aquisição de uma mente aonde o auto-conhecimento pode habitar.


(Tradução de Marco André)

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