Como estamos no mês de Gurupurnima, pensamos que seria interessante colocarmos

o Editorial da professora Gloria Arieira de uma forma diferente. Achamos que todos

gostariam de conhecer um pouco mais sobre nossa professora e, portanto, ao invés do

Editorial na forma tradicional, vamos levar a você parte da entrevista que os alunos da

professora Gloria fizeram com ela em 1984! A foto ao lado mostra a professora naquele

ano. As perguntas são muito interessantes e as respostas muito esclarecedoras.

Nos próximos números publicaremos o restante da entrevista, que saiu na revista Prama daquele ano. 


GLORIA ARIEIRA É ENTREVISTADA POR SEUS ALUNOS 


Após quatro anos e meio de estudo intensivo de Vedanta e sânscrito na Índia, onde teve contato profundo com a cultura védica, Gloria Arieira vem dedicando-se ao ensino, à realização de palestras e outros eventos na cidade do Rio de Janeiro, onde reside atualmente.

 

- Como lhe ocorreu a idéia de vir a ensinar?


Eu não tinha a intenção de ensinar. A minha idéia era ficar na Índia, ensinando talvez para algum grupo pequeno, e continuar a estudar Sânscrito.... Mas um dia me ocorreu que eu não havia nascido no Brasil à toa, existem pessoas que sabem português mas não sabem inglês e não tem condições de ir para a Índia. Eu tenho que ensinar a essas pessoas, de outra forma eu não teria nascido no Brasil! Eu me sinto bem na Índia, por que teria nascido no Brasil? Tem que haver uma razão. Eu achei que a razão era essa, eu tinha que ensinar aqui, era minha obrigação.


- Eu gostaria que você fizesse um histórico. Antes de Vedanta, você naturalmente já tinha um questionamento. Como foi que você ouviu falar de Vedanta? Como você entrou em conttato e por que você foi parar lá na Índia?

Eu entrei em contato com Vedanta quando tinha 19 anos. Nessa época eu achava que tinha todas as coisas que eu poderia imaginar e tinha todas as possibilidades nas mãos. Tinha viajado o suficiente, estava estudando o que eu queria. Mas também achava que nada disso me satisfazia. Não achava possível ter vindo para o mundo somente para me casar, ter filhos, netos e ir embora. “Tem que haver algo mais, pois isso não me satisfaz”, pensei. Existia em mim uma forte insatisfação que não conseguia eliminar. Voltei-me para várias coisas ao meu redor, asanas, pranayama, alimentação natural, passando até mesmo pelo existencialismo numa época, até achar que o que mais me respondia alguma coisa era o Zen Budismo, isto foi a última coisa. Estava então me organizando para ir para algum lugar, pensei na Patagônia, onde ficaria isolada, pensando e lendo, pois achava que em algum livro deveria encontrar a resposta. Foi então que encontrei Swami Chinmayananda, que veio fazer uma palestra de Vedanta aqui no Rio. Ele disse que veio por acaso. Estava indo fazer uma palestra na Argentina, teve que fazer um pouso aqui e as pessoas que o tinham conhecido na Índia organizaram uma palestra.
Então, eu vi que aquele conhecimento respondia a certas perguntas minhas e vi também que não havia ninguém aqui para me ensinar. Decidi ir para a Índia. Quando eu cheguei lá, ele me disse: “Eu fui para o Brasil por sua causa, porque você estava preparada, no momento certo”. Hoje vejo que tudo que vivi e estudei foi para me levar ao momento de descobrir Vedanta, que responde realmente às perguntas.


- Quando você chegou à Índia, como as coisas se sucederam?


Quando cheguei à Índia, eu não imaginava que existia uma escola, que existia um curso, que existiam pessoas vindas de todas as partes do mundo estudando. Encontrei um curso de Vedanta de dois anos e meio. Quem estava ensinando era Swami Dayananda. O Swami Chinmayananda me encaminhou para o Swami Dayananda, que foi quem me ensinou, que foi meu mestre.


- Você só ficou sabendo que era uma escola quando chegou?


Eu só fiquei sabendo que era uma escola no momento em que me deparei com ela na minha frente. Eu pensei que fosse encontrar o Swami Chinmayananda sentado embaixo de uma árvore estudando. Lá faz muito calor, todas as pessoas estão estudando juntas, na hora de dormir, dormem debaixo da árvore, na hora de comer, comem qualquer coisa ao redor. Eu vou lá estudar com eles, qualquer coisa que for preciso eu faço também ... Mas quando cheguei, vi que era uma escola com 50 alunos de todas as partes do mundo estudando, e que eu “estava de trouxa” chegando por último.
 

 

 

 

 

 

 

 

Editorial 2017 - Julho - Agosto

Gloria Arieira

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Cep: 22071-001 | Brasil

Tel: +55 21 2287-2774 ou  98880-3256

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