Editorial 2017 - Novembro -Dezembro

Gloria Arieira

Kshanti ou acomodação é a característica principal do santo.

A capacidade de aceitar livremente a outra pessoa sem querer que ela

mude para satisfazer suas exigências ou valores pessoais. Saber diferenciar

a pessoa de seu ato. O ato pode ser condenado, pode ser errado e, assim

sendo, pode não ser aceito. Mas ainda assim podemos compreender a

pessoa, a sua história de vida, seu passado, sua infância, que levaram a

pessoa a agir da maneira como ela age. Podemos reconhecer que nós

também, na situação daquela pessoa, agiríamos da mesma maneira.
Ao mesmo tempo não podemos confundir a aceitação do outro com deixar

que o outro ultrapasse seus limites e interfira em nossa vida, decida o que vamos fazer, nossas prioridades, nossos valores, escolhas. Não podemos deixar que aceitar signifique submeter-se!
Temos a responsabilidade conosco de pensar o que é bom e justo para nós, expressar e defender esta escolha. Forçar uma pessoa a fazer escolhas, usando (ou melhor, abusando) ou não de poder, é uma violência. Igualmente, submeter-se a uma mudança de valores sem refletir, subjugando-se à força verbal, emocional ou física, ou em troca de favores, é uma violência permitida a si mesmo.
Que nós possamos perceber neste novo ano a diferença entre entender e acomodar o outro e a violência de submeter-se ao outro, à sua opinião ou maneira de agir. O primeira relaciona-se à pessoa; o segundo, à maneira com que o outro age. Podemos compreender a pessoa, mas não temos que fazer o que a pessoa faz, tampouco concordar com ela.
Temos a responsabilidade conosco, e com o mundo, de pensar, de usar nossa maior bênção que é a buddhi, a capacidade de discriminar e descartar o que não tem valor. Não podemos permitir que o outro decida por nós, o que será violência de ambas as partes, nossa mesma e do outro. E se a outra pessoa tem algum poder sobre nós (por idade ou outra hierarquia aceitável na sociedade) não podemos deixar que haja abuso do poder, onde uma pessoa, porque tem alguma posição de liderança sobre a outra (na família, no trabalho, por situação financeira, religiosa ou na sociedade em geral), inibe a outra e a submete, sob a ameaça de alguma perda.
Um exemplo esteve em grande evidencia recentemente, em filmes e jornais – mulheres e seus chefes no ambiente de trabalho. Mas é muito comum em qualquer outro ambiente – na educação, em instituições religiosas, na política, na imposição das leis ...
Que nós possamos refletir sobre a violência e trabalhar para que seja paralisada.
Felicidades!


Com carinho, 
Gloria Arieira
 

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