Como devemos rezar?


Na Índia são celebrados diversos ‘Anos Novos’ (ano novo Tamil, Ugadi, etc). Esse fato em si é uma indicação de que ‘Ano Novo’ é um conceito relativo, e não absoluto. Assim sendo, não devemos nos ater a nenhum ano novo em particular, qualquer ano novo é bom. O propósito de uma celebração do ano novo é apenas o de examinar o que está acontecendo em nossas vidas.

Temos uma existência humana pela qual pagamos um preço alto, utilizando uma moeda chamada ‘punyam’. Portanto, não podemos desperdiçar esta oportunidade para fazer o nosso melhor, senão a vida se torna uma coisa mecânica. Temos que observar se estamos evoluindo ou não, sem nos preocuparmos com a taxa de crescimento ou com as ‘dores de crescimento’. Um broto de bambu pode crescer à uma taxa de vários centímetros por dia, enquanto outras espécies vegetais podem crescer apenas alguns poucos centímetros por dia. A taxa de crescimento é inerente a cada sistema particular. Todos nós temos a nossa própria taxa de crescimento, e temos que conhecê-la, portanto não precisamos nos comparar aos outros, para não desenvolver algum complexo. Não precisamos nos tornar invejosos, nem ficar com sentimento de culpa, frustrados ou desenvolver um complexo de inferioridade.

Todos nós vamos receber a graça de Deus. Algumas pessoas dizem ‘Tudo é graça de Deus’, e assim não assumem responsabilidade por nada. Essa atitude é muito irresponsável, mas ao mesmo tempo não podemos ser arrogantes dizendo: ‘Eu consigo realizar tudo o que eu quero’. O orgulho precede a queda. Pessoas que já ocuparam altas posições podem estar agora em uma cadeia. Devemos aceitar o nosso papel, bem como o papel de Isvara, assumindo responsabilidades com nós mesmos, e buscando a graça do Senhor através de orações, visitas a templos, etc.

Quando oramos ao Senhor devemos nos lembrar de algumas regras – não devemos pedir qualquer coisa ou tudo, mas apenas aquilo que é possível. Isso é verdade, mesmo sendo Bhagavan onipotente. Sabemos através dos Puranas que os rakshasas fazem austeridades intensas (tapas). Isvara aparece na frente deles e pergunta: ‘O que você deseja’? Parece existir um padrão para o pedido (e para a resposta). O pedido padrão é: ‘Que não haja morte para mim’ – e a resposta padrão para isso é: ‘Peça-me outra coisa, isso eu não posso te conceder’. Se o próprio Bhagavan não pode satisfazer todos os desejos, como pode Ele ser considerado onipotente? Para entender isso, devemos primeiro entender o significado de onipotência. Onipotência é a capacidade de fazer tudo aquilo que é possível. Assim, se pedirmos coisas impossíveis ao Senhor, não vamos obter o que pedimos e vamos duvidar da eficácia da oração, e até mesmo da existência de Deus. Portanto, quando oramos devemos saber o que podemos pedir, para que não haja decepção. Não devemos cometer o erro de pedir o impossível. Quais são as impossibilidades ou as orações erradas?

Primeira impossibilidade: Enquanto vivermos, temos que ser ativos, tanto física quanto mentalmente. O corpo e a mente foram feitos para a atividade. Portanto, ‘Ó Senhor, livre-me de responsabilidades ou de atividades’ é uma oração errada ou impossível. Se nós temos filhos, temos que estar preparados para todas as responsabilidades que virão a seguir, inclusive cuidar dos netos. Se não quisermos assumir esse tipo de responsabilidades e preferirmos ir para um ashram, vamos nos deparar com as responsabilidades da vida em um ashram. Se quisermos escapar disso também, e viver como um monge viajante, o mundo todo se torna nossa responsabilidade. Portanto, nunca devemos pedir por descanso, temos que ser ativos até o último suspiro. É totalmente impossível nos livrarmos totalmente das atividades. Podemos, entretanto, orar para não ter tédio. ‘Ó Senhor, que eu possa realizar todas as minhas atividades com uma mente feliz, que eu encontre inspiração em todas as atividades que eu fizer, e que eu possa gostar de todas essas atividades’.

Segunda impossibilidade: O futuro nunca está sob o nosso controle, seja o nosso próprio futuro ou o futuro de nossos filhos, o futuro das companhias em que trabalhamos, ou o futuro do mundo. Portanto, quando oramos ‘Que eu seja bem-sucedido em tudo, que eu tenha lucros o tempo todo, que meus filhos sejam academicamente brilhantes’, indiretamente estamos buscando ter um controle sobre o futuro. Qualquer tipo de oração na qual haja algum tipo de controle do futuro, irá falhar inequivocamente. O que podemos fazer é contribuir para o futuro. Podemos ser contribuintes e não controladores. Podemos ser contribuintes para o bem de nossos filhos, para o nosso próprio bem, para o bem das companhias para as quais trabalhamos, e para a pátria, mas não vamos orar por algo que inclua algum controle sobre o futuro. E quando contribuirmos, que o façamos com entusiasmo e alegria. Krishna não pode evitar a guerra no Mahabharata, mas foi um grande contribuinte na mesma. Quando mesmo um Avatar não pode controlar o futuro, o que nós, simples mortais, podemos fazer? ‘Ó Senhor, que eu possa dar o melhor de mim mesmo. Que eu possa gostar daquilo que faço. Que eu tenha alegria e entusiasmo’.

Terceira impossibilidade: A terceira impossibilidade é importante, principalmente para aqueles que tem uma família. Devemos entender de uma vez que não podemos mudar os outros. Até mesmo Deus falhou nisso; Krishna falhou tentando mudar Duryodhana. Ramafalhou ao tentar mudar Ravana, embora Ele tenha lhe dado inúmeras oportunidades. Se tentarmos mudar o outro, inevitavelmente vamos falhar terrivelmente e nossas vidas se tornarão um fardo. O que podemos fazer é contribuir ao máximo para o crescimento do outro.

Se sempre julgamos o outro subjetivamente, como vamos saber se nosso julgamento é correto? Nós precisamos crescer, tanto quanto os outros precisam. Assim como queremos que os outros mudem, eles também querem que nós mudemos, e o resultado é sempre desastroso. Podemos ajudar às pessoas, contanto que elas queiram nossa ajuda, e da mesma forma que podemos ajudar aos outros, podemos também buscar ajuda deles. ‘Ó Senhor, mude fulano’ é uma oração equívoca. Em vez disso, deveríamos dizer ‘Ó Senhor, que eu possa contribuir para o crescimento de fulano, que eu possa influenciar seu crescimento’. Essa sim deveria ser a fórmula da oração.

Nós podemos influenciar (e não ‘mudar’) os outros de duas maneiras – direta e indiretamente – através das nossas palavras e ações. Ainda assim poderemos ser bem-sucedidos ou não – a maioria das pessoas não escuta. Quando falamos com outra pessoa, ao invés de simplesmente escutar, ela provavelmente estará planejando a sua resposta, e o contrário também é verdadeiro. Isso se chama discussão. A influência indireta é nossa ação, nossa forma de viver. Nossas ações podem influenciar os outros, ou não. Podemos orar: ‘Ó Senhor, por favor me dê forças para aceitar os outros – aqueles que estão mudando para melhor, para pior, e aqueles que não mudam’.

Quarta impossibilidade: Não poderemos nunca obter satisfação e segurança totais através de alguma situação. Esperar um resultado positivo disso é um grande erro. Mesmo que seja uma situação ideal, algo vai desagradar. ‘Ó Senhor, que eu encontre segurança em mim mesmo, em qualquer situação’. Até mesmo Bhagavan pode reclamar das situações. Afinal, o mais insatisfeito deveria ser Bhagavan, pois Ele é o criador do mundo, de todos os seres, e nos deu um conjunto de regras, chamado ‘dharma’, que devemos seguir. E o que fazemos? Violamos cada regra do livro.

Resumindo:

‘Ó Senhor,

Que eu seja ativo com entusiasmo e alegria; que eu possa gostar de tudo que faço.

Que eu possa contribuir para o futuro; que eu não tente controlar o futuro.

Que eu possa influenciar positivamente através de minhas palavras e ações; que eu não tente modificar os outros.

Que eu tenha a sabedoria para encontrar satisfação e segurança em mim mesmo, em qualquer situação.’

- Se nós fizermos essa oração, Bhagavan certamente irá cooperar. Orando desta forma, possamos nós crescer e contribuir com o melhor de nós mesmos –

(Tradução Claudia Lakshya)


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