Satsanga com Swami Dayananda - A Atenção - Agosto/1993


Templo de Dakshinamurti no ashram de Swamiji nos Estados Unidos

P. Swamiji, o senhor afirmou que a atenção é essencial para qualquer disciplina, para que qualquer trabalho seja feito em nossas mentes e para o autoquestionamento. Como podemos desenvolver essa atenção?

Swamiji - A atenção é uma capacidade. Por conseguinte, desenvolvê-la é como adquirir qualquer outra capacidade, como por exemplo a natação. Aprendemos a nadar, nadando. Aprendemos a dirigir, dirigindo. E nos tornamos alertas, mantendo-nos alertas.

Antes que qualquer capacidade seja adquirida, existe um tipo de aprendizado a ser exercido. Quando estamos aprendendo a dirigir, por exemplo, existe um instrutor sentado ao nosso lado e um aviso "motorista em treinamento" assinalando o carro, de modo que todos nas ruas cuidarão de manter uma certa distância. Desse modo, dentro de um período de tempo, adquirimos a capacidade de dirigir.

Aqui, também, começamos por tornar-nos alertas em áreas onde habitualmente não o somos. Principiamos pela área comportamental, porque este é um campo onde a capacidade de permanecermos vigilantes pode ser desenvolvida. Há certos aspectos mecânicos do comportamento a respeito dos quais conscientemente tornamo-nos cônscios. Em outras palavras, principiamos apenas evitando as ações que denunciam nossa condição de sermos mecânicos, como a inquietação.

A inquietação acontece devido a algo na mente que se expressa mecanicamente em algum movimento externo do corpo. Todos nós já vimos pessoas sentarem-se, sacudindo uma das pernas enquanto conversam. Geralmente, isso é considerado como sendo um maneirismo, mas todos os maneirismos são, em verdade, problemas, porque representam expressões mecânicas da mente. Não há nenhum pensamento envolvido, nenhuma expressão consciente.

Por essa razão, iniciamos por esses maneirismos, essas ações mecânicas. Ou os fazemos cessar como um todo, ou convertemo-los em ação consciente. Podemos até sermos conscientes do abrir e fechar de nossas pálpebras, a menos que, naturalmente, alguma coisa caia em nossos olhos inesperadamente.

Há um renunciante em Rishikesh que tornou-se bastante famoso por controlar o piscar dos olhos. Ele senta-se frente ao Laksmanjhula Temple, assim chamado porque é dedicado a Laksmana, irmão de Rama, e devido à ponte giratória, feita de cabo de aço, que devemos cruzar para alcançá-lo. Porque a área é pitoresca e tem grande número de atrações, atrai muitos peregrinos e turistas .

Este renunciante tem por vestimenta apenas uma pequena peça de roupa circundando sua cintura, seu corpo nu é recoberto com cinzas, e seus longos e emaranhados cabelos são presos de um modo bastante incomum. Tem uma barba comprida e embaraçada e unhas muito grandes. Ele é a representação de um Yogi tradicional, completado com um bastão na forma de "T", no qual se apoia durante seus longos períodos de meditação.

Ele olha diretamente para as pessoas e não pisca. Este tipo de controle demonstra que ele é uma pessoa de grande disciplina.