A Felicidade é minha Natureza Essencial


(Entrevista)

O Atma - Quando começou seu interesse pela filosofia hindu?

Gloria: Num momento de busca pessoal. Procurava nos livros e em palestras um

caminho. Foi quando, em 1973, conheci o Swámi Chinmayánanda.

As palavras dele chegaram a mim com muita força: "Deus não é uma

questão de fé, e sim de conhecimento", e "a natureza essencial do indivíduo

é a identificação com Deus", por exemplo. Todos os ensinamentos dele

fizeram sentido para mim. Quatro meses depois, resolvi me mudar para a

Índia com meu marido e estudar Vedanta, a parte final dos Vedas, os textos

sagrados hindus. Esse conhecimento, que foi passado oralmente há mais de

5 mil anos antes de Cristo, deve ser mantido inalterado. Daí a sua tradição

oral. O Swami Dayananda foi o meu mestre.

O Atma - Por que você resolveu dar aulas de Vedanta?

Gloria: Eu estava vivendo há quase cinco anos na Índia. Estava totalmente adaptada e identificada com a filosofia de vida desse país. Quando pensei: por que nasci no Brasil? Deve existir alguma razão para isso.

Sentia-me segura sobre o conhecimento que adquiri. Estava tudo muito claro para mim. Nesse momento, resolvi voltar. Já no Rio, fui convidada a dar palestras sobre o assunto e as aulas começaram como um processo natural.

O Atma - Qual a relação de Vedanta com meditação?

Gloria: A meditação é um instrumento para assimilação do conhecimento, o objeto de contemplação daquilo que foi estudado. Traz a sua mente de volta sem o uso da lógica e vê a verdade daquelas palavras ouvidas, os ensinamentos.