Editorial 2010-Abril

Gloria Arieira

Vedanta

Vedanta é um conhecimento sobre realidades. Não é uma proposta filosófica, muito menos uma proposta de auto-ajuda!

O assunto de Vedanta é Brahman, aquilo que é o maior, o livre de qualquer forma de limitação e também o mais sutil.

Vedanta não só diz que existe Brahman, mas também que a natureza do sujeito é este Brahman.

O assunto de Vedanta tem que ser entendido através de um meio e um método de conhecimento que é shabda, as palavras bem ditas, bem desdobradas, para alguém que quer muito escutá-las. Alguém que submete qualquer desejo em nome desse conhecimento, pois não aguenta mais conviver com um eu pequeno, carente, limitado e por isso muitas vezes competitivo e mesquinho.

Para qualquer conhecimento, a mente é requisitada e é por isso, porque ela é singularmente importante para o conhecimento, que Vedanta a examina com tal minúcia em nenhum outro lugar encontrada.

Para qualquer conhecimento, a mente é requisitada e é por isso, porque ela é singularmente importante para o conhecimento, que Vedanta a examina com tal minúcia em nenhum outro lugar encontrada.

Para que o conhecimento aconteça, é necessário haver a presença do objeto de conhecimento, jneya vastu, e do conhecedor, jnatr; além disso deve ser produzido um pensamento na forma exata do objeto, chamado de jnanavrtti.

A mente é definida como uma sequência de pensamentos - vrttayah manah. De acordo com o tipo de pensamento, a mente é dividida em quatro tipos, pois são quatro os tipos de pensamentos: buddhi, manas, citta, ahamkara.

O pensamento que oscila (manas); o pensamento que determina (buddhi); o pensamento que arquiva (citta); e o pensamento de eu (ahamkara).

O verdadeiro eu não é o "pensamento de eu" que assume para si os outros pensamentos e identificações, mas a fonte dos pensamentos. E no questionamento, manah patati, a mente cai.

Para se conhecer a natureza da mente, tem que se conhecer o pensamento eu que centraliza todos os outros. Para a mente "cair", o "pensamento eu" tem que cair, e este somente cai, desaparece, na percepção de sua origem, mulasthana do ahamkara.

O kara, o conceito de eu, cai, e sobra o aham, o puro eu que é Consciência sempre presente.

A isto alguns chamam de manonasha, traduzido como a destruição da mente e esperado como um evento a ocorrer.

Ora, como pode ser isto?!

Como a mente pode ser destruída, como isto pode ser algo desejável? Mano nasha é quando a realidade depositada na mente é recolhida, e o verdadeiro eu, aham, é descoberto como Brahman, o eterno livre de qualquer forma de limitação.

A mente então ilumina sua natureza imutável, Eu é Brahman, ou melhor, Eu sou Brahman. Isto é sabedoria, o fruto do conhecimento de Vedanta; a razão deste estudo.

 

Om tat sat 

 

 

 

 

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