Reverência à Ordem

 

Editorial 2008-Janeiro

Gloria Arieira

Os Vedas têm uma visão de que tudo o que existe vem de Brahman, o Absoluto que é a causa da criação. A começar pelo tempo e o espaço, tudo está incluído no conceito de Deus, Isvara. Do espaço vem o ar; deste vem o fogo; deste, a água e, por fim, a terra. Tudo que existe tem uma causa única que é Brahman. Esta visão de manifestação de um universo único que é Isvara e da ordem cósmica que o mantém em adequado funcionamento traduz-se numa atitude de reverência a tudo o que existe porque é a forma de Isvara; é Isvara!

A reverência ou bhavana é para com cada aspecto do universo, seja a um livro, que é Sarasvati, ou a flores, jóias, dinheiro, que é Mahalaksmi. Ao rio Ganges, que é o fluir do conhecimento, ou ao fogo.

A reverência é, ao mesmo tempo, uma gratidão à ordem cósmica que tudo mantém coeso. Seja minha vida, meu corpo, a expressão da natureza, de cada animal.

A ordem que faz com que cada objeto seja o que é, cada pessoa ou expressão da natureza seja o que é, manifestando suas características específicas sem sair da ordem. 

Minha mente e meu intelecto têm uma lógica e funcionam de forma que podem ser entendidos, assim também meu corpo e todo o universo.

A reverência ou bhavana é para com cada aspecto do universo, seja a um livro, que é Sarasvati, ou a flores, jóias, dinheiro, que é Mahalaksmi. Ao rio Ganges, que é o fluir do conhecimento, ou ao fogo.

A reverência é, ao mesmo tempo, uma gratidão à ordem cósmica que tudo mantém coeso. Seja minha vida, meu corpo, a expressão da natureza, de cada animal.

A ordem que faz com que cada objeto seja o que é, cada pessoa ou expressão da natureza seja o que é, manifestando suas características específicas sem sair da ordem. Minha mente e meu intelecto têm uma lógica e funcionam de forma que podem ser entendidos, assim também meu corpo e todo o universo.

Como seres humanos, só podemos apreciar a beleza e a perfeição da ordem que tudo mantém, sermos gratos por fazermos parte dela e termos meios para entendê-la.

Eu, pessoalmente, não tenho poder sobre o universo ou sua causa.

Sou grato, rendo-me a esta grandeza que me inclui, confio em sua perfeição, suspendo meus gostos e aversões e, sem reagir, reverencio o Todo cedendo minhas exigências e acolhendo o que vem, porque vem de Isvara.

Esta visão é dos Vedas e quem compartilha dela percebe a diferença que faz em sua vida.

A diferença está na apreciação do universo como um todo que possui uma ordem, e que é perfeito porque tudo que faz parte dele obedece à mesma ordem. Cada um de nós, seres vivos, não é sozinho, nem isolado, mas faz parte do todo e pode apreciar este fato.

A diferença se faz então na atitude de reverência e gratidão que consegue neutralizar a força dos gostos e aversões – faço sempre a minha parte e o que vem para mim está sempre dentro da ordem.

Desejo que cada um da família Vidya Mandir possa trazer essa diferença á sua vida em 2008.

 

om tat sat

Editorial 2008-Fevereiro

Gloria Arieira

Isvara é revelado nos Vedas como a causa e a manifestação do Universo, a Ordem Cósmica que mantém cada coisa atuando a seu modo e, ao mesmo tempo, mantém o todo funcionando em coerência.

Ele é o absoluto que com o poder de fazer aparecer, o poder de maya, torna-se manifestado como o universo dual.

Entender Isvara é entender, ao mesmo tempo, a si mesmo como indivíduo, jiva, e como Atma, o Eu livre do tempo e do espaço.

É trazê-lo para sua vida diária na aceitação de si mesmo e do outro, compreendendo a verdade absoluta que tudo une.

Tudo o que jiva deseja é ser aceito e aprovado como bom e suficiente. Mas parece que cada um sempre poderia ser diferente, poderia ser melhor em todas as áreas de sua vida. Nasce então a frustração e a falta de solução, pois por mais que tentemos, nossa limitação como humano é sempre evidente.

Não conseguimos aceitar a nós mesmos e aos outros. Não se faz necessário adotar uma visão negativa e sem solução de nós mesmos e da vida. Tampouco uma visão positiva, torcendo e tentando acreditar que tudo vai dar certo, ainda que não haja lógica para esta crença.

Será que existe uma outra opção?

A solução é trazer Isvara para sua vida. É aceitar o universo como é, pessoas e situações como são, sempre com o esforço do melhor. Perceber a Ordem em todo lugar. Acolher o adverso sem julgamento. Permitir que pessoas e situações sejam como são, sem desejar que sejam diferentes. Compreender que todo o universo funciona dentro de uma ordem, inclusive cada pessoa age da maneira possível para sua história de vida. Não pode ser diferente.

Aceitar é amar. Apreciar os fatos e acolhê-los é amar. Permitir que o universo seja como é, é amá-lo, é entender e trazer Isvara para sua vida.

 

om tat sat

Aceitação

 

Editorial 2008-Março

Gloria Arieira

Uma Viagem à Índia

Setembro 2007

Andar por lugares especiais, onde a natureza é exuberante e onde pessoas especiais por suas conquistas espirituais viveram, onde suas presenças ainda podem ser sentidas. Com atitudes de reverência, de respeito e amor pelas pessoas e os lugares onde estiveram por algum tempo. Reverência pela presença de um templo onde está representado e cultuado o divino em uma de suas muitas formas.

E usufruir do lugar, da santidade e quietude do lugar, da presença divina e da congregação de visitantes que têm ido ao lugar ao longo dos tempos. Usufruir sendo inspirado pelo lugar e levar essa inspiração de volta para casa.

Tudo isso é o significado de peregrinar.

Fomos, um grupo na maioria constituído de estudantes de Vedanta, menos um filho e um marido, andar na Índia.
Escolhemos dois grandes templos no sul – um dedicado a Vishnu, outro, a Shiva.
São grandes e imponentes templos com arquitetura antiga e tradicional do sul da Índia, nas cidades montanhosas de Tirupati e Tiruvannamalai.

Ao norte andamos muito, fomos a cidades onde viveram os sábios, os rsis, como Veda Vyasa e o grande Shankaracarya. O rio Ganges, Gangaji, nos acompanha quase o tempo todo. São quatro cidades principais – Gangotri, Yamunotri, Badrinath, Kedarnath, chamadas Chardham. Dessas, visitamos duas.

Ao sair de Delhi a primeira cidade aos pés dos Himalayas, montanhas geladas que foram o lugar de refúgio para os sábios, yogis e buscadores do autoconhecimento, é Haridwar, dwar – a porta, para o senhor, Hari, aquele que elimina a maior causa de nosso sofrimento, a ignorância de si mesmo.

Depois vem Rishikesh e então, a partir daí, estradas e caminhos nos levam à vastidão dos Himalayas, que se estendem além do atual território indiano. Buscando a fonte de Gangaji, que mais do que rio é o fluir do conhecimento dos Vedas através de gerações de mestres e discípulos, vamos até Gomukh, o grande glaciar de onde brota o rio. Um lugar especial, a 4200m de altitude, mais perto do céu do que qualquer outro lugar. O ar puro, rarefeito, montanhas com neve ao redor, grandes pedras e plantas típicas do lugar.

Ali estiveram muitos sábios e devotos da verdade. Gomukh significa boca da vaca, uma abertura de gelo de onde nasce Gangaji que flui até a Baía da Bengala purificando os lugares por onde passa e aqueles que se banham em suas águas, conforme é dito nos Vedas.Uma caminhada de 18km de Gangotri nos leva à Bhujbasa e depois mais 4km até Gomukh.

Até hoje são muitas as adversidades até chegar lá. Evidentemente não existem pousadas ou restaurantes no caminho, tão pouco estrada ou condução, a não ser alguns burricos.

O sol é forte durante o dia e as noites e manhãs são frias.

No caminho são pedras, precipícios, pinguelas. Cada andarilho com seus pensamentos olha atentamente o caminho a ser seguido e vislumbra a natureza bela ao seu redor. Algumas vezes caem leves pingos de chuva no verão. Gangaji nos acompanha, às vezes ao nosso lado, outras vezes lá embaixo, bem longe.
Dizem que as águas das montanhas de neve dos Himalayas encontram uma saída dentro desse glaciar e dali saem formando o rio Bhagirati – Ganges. As águas são gelo derretido, muito frias, as montanhas imponentes ao redor, o céu azul com algumas nuvens e nós, peregrinos, encantados com a grandeza de Ishvara. E satisfeitos pela realização de, apesar das adversidades, termos chegado lá.

A experiência é de alegria, satisfação, apesar do cansaço. 

Entre formas de alegrias que podem ser alcançadas, a alegria sattva é esta, o encanto da beleza e paz, alcançada pela contemplação do belo e divino em nós e no Universo, o todo que é Isvara. Dizia Swami Tapovan, que é muito diferente da alegria rajas que nasce do prazer dos sentidos em contato com os objetos e da atração entre um homem e uma mulher.

A alegria sattva traz tranqüilidade e paz consigo mesmo, em si mesmo.

Bhujbasa era uma floresta de bhuj no meio do caminho para Gomukh, Hoje não há mais vestígio da floresta, mas há uma parada, uma cabana para descansarmos, beber e comer alguma coisa. No caminho de Rishikesh à Badrinath estão cinco conjunções de rios sagrados – Panchaprayag. O primeiro é Devaprayag, a união de Bhagirathi-Ganga, que vem de Gangotri e Alakananda, que vem de Bhadrinath.

Ali há um templo dedicado a Sri Rama que ali esteve fazendo tapas, ascese, quando mais velho. 
Depois vem a cidade de Srinagar e a seguir Rudraprayag que é a junção de Mandakini (de Kedarnath) com Alakananda. Depois, Karnaprayag, lugar da união de Pindara e Alakananda. A seguir, Nandaprayag e por fim, Vishnuprayag. Sri Krsna diz na Gita que entre todas as coisas do universo ele, Ishvara, está mais evidente em alguns lugares. Um desses é o Himalaya.

A cadeia de montanhas com seus picos de neve às vezes dourados às vezes prateados. O rio que se entrelaça na montanha, a vegetação típica de arbustos, pedras, rochas, a cada virada na estrada encontramos um novo encanto e beleza exuberante. A paz, o silêncio ao redor, contrastando com o som das águas do rio, a voz de Gangaji às vezes sussurrando ao nosso lado, outras muito longe. O amor à natureza, à quietude e à estar só faz com que a pessoa se encante, apesar da ausência de confortos e distrações. A partir de Rishikesh todas as estradas nas montanhas nos Himalayas, os lugarejos, lugares de peregrinação, tirthas, são encantadores e ainda emanam a presença de sábios, yogis, devotos, ascetas que viveram ou visitaram o lugar. Vale a pena uma visita a Gangaji em qualquer um desses lugares e um mergulho em suas águas, ao menos uma vez na vida. Dizem os Vedas que um mergulho sequer lava a pessoa de todo o papam, do resultado de ação negativa feita no passado pela pessoa. 

Naturalmente que não podemos levar ao pé da letra. Ganga é o fluir do autoconhecimento e um mergulho no escutar, refletir e contemplar sob o ser liberta a pessoa da causa de todo sofrimento, a ignorância de si mesmo, de sua natureza eterna. O entendimento do mahavakya – tat tvam asi, através do que a pessoa pode dizer do fundo de seu coração e entendimento – aham brahma asmi.
Esta é a maior peregrinação, ao ser eterno, o atma brahma, escondido na escuridão da ignorância. Visitá-lo requer tomar a iniciativa da peregrinação. E ao mesmo tempo se inspirar nos Himalayas.

 

Om tat sat.

Editorial 2008-Abril

Gloria Arieira

Índia 2007 - Uma Viagem

 

Haridwar é a porta para os Himalayas. De Delhi pode-se pegar um trem, ônibus ou táxi e depois de algumas horas chega-se a Haridwar, hoje um razoável centro urbano. No centro há uma torre que é avistada de longe e o rio fluindo forte. Para se banhar os devotos se agarram em correntes de ferro para não serem levados pela correnteza. No pôr do sol é feito um grande oferecimento com cantos védicos e arati, oferecimento de fogo ao rio com enorme chama.

Pessoas oferecem barquinhos de folha com flores e uma chama acesa em lâmpada de barro. Com muita reverência e devoção muitos congregam ali diariamente.

A seguir temos a cidade de Rishikesh onde antes havia inúmeros ashrams e cabanas de ascetas e renunciantes, hoje uma vibrante cidade com todo o conforto possível, agregando pessoas de todo o mundo. O mercado é grande e variado, objetos devocionais, de ayurveda, livros, roupas e jóias, utensílios de casa. Existem muitos ashrams com aulas, práticas espirituais e atividades devocionais como o Swami Dayananda Ashram, Swami Shivananda Ashram e o Kailas Ashram, os mais conhecidos.

Também na beira do Ganges, em vários pontos, são oferecidos cantos e arati numa atmosfera de devoção. As pessoas se banham e oferecem orações e barquinhas iluminadas. Ganga é forte, profunda e brilhante. A água torna-se verde, azulada e cinza. O ashram do Swami Dayananda é distante do centro e também das pontes que ligam as duas margens; fica em um lugar um pouco mais calmo, e do outro lado da margem não há construção, somente a mata verde, como já foi um dia todo o lugar. Saindo um pouco de Rishikesh estão dois lugares ainda especiais pela natureza, a vista ao redor e a santidade do lugar associado à presença de rsis. Vasistha Guha é uma gruta onde o sábio Vasistha viveu e meditou e Ganga ali é brilhante, suas águas sempre frescas e límpidas. Adiante, subindo uma escadaria de 345 degraus, temos um templo dedicado à Devi, Kunja Puri. Os brahmanas que tomam conta do lugar são simples e devotos; a vista da amplitude dos Himalayas é esplendorosa!

De Rishikesh passamos por Tehri, a capital do estado, e chegamos a Uttarkashi, hoje um grande vilarejo, muito movimentado com comércio variado. 

Para nós é um lugar especial porque Swami Chinmayananda, mestre de Swami Dayananda, viveu e estudou ali durante alguns anos, e muito mais tarde, em 1977, eu também passei um tempo estudando e usufruindo do lugar com meus colegas de ashram e Swami Chinmayananda. Na frente do ashram Swami Tapovanji oferecia a Gangaji os doces que ganhava dos devotos que vinham visitá-lo da planície. Mandava os brahmacaris levar e oferecer os doces; eles, cheios de desejo por comer ao menos um, ofereciam toda a caixa.

Swamiji sabia que vairagya, a renúncia, não é fácil, nem é possível através de mero esforço e rigor, mas requer uma maturidade que nasce de constante discriminação.

Ele acreditava nesse exercício de discriminação para que seja possível viver entre os objetos do mundo em constante e natural desapego a eles, por ter descoberto um coração satisfeito em si mesmo, por si mesmo. Isto é o que faz o renunciante, o sannyasi verdadeiro.

De Uttarkashi fomos para Gangotri, passamos a noite num lindo e florido acampamento fixo em Harsil, com macieiras cheias e um pequeno templo ao fundo. De manhã, seguimos para a entrada da reserva cujos caminhos estreitos, entre pedras, atravessando rios, a céu aberto, rodeados de montanhas grandiosas e picos nevados levam a Gomukh.

No início alguma vegetação típica do lugar, depois principalmente pedras e o rio acompanhando, aqui e ali uma parada para comer e beber alguma coisa, em Chirbasa e Bhujbasa, dois pontos onde haviam florestas outrora. Dormimos em acampamento precário, mas com o luxo de refeições preparadas no local. No dia seguinte fomos também andando, por

2 horas, à origem do Ganges.

Gomukh é realmente especial, se estivéssemos menos cansados poderíamos ter apreciado mais cada detalhe. A exaustão nos permitiu somente tirarmos as botas, molharmos a cabeça e o corpo, sem mergulhar, e fazermos cantos e orações a Ganga Devi. Somente 2 de nós conseguiram mergulhar de corpo inteiro!
Dali voltamos, alguns a pé e outros de burrico, para Bhujbasa e depois, no dia seguinte, para o acampamento fixo para a noite, antes passando no templo de Gangotri, branco, pequeno, um jóia no meio do vale. Alguns devotos de várias partes da Índia e nós sentamos ao redor para relaxar.

Pegamos a estrada novamente, dessa vez em direção a Badrinath. Longa estrada, linda vista, alguns povoados.

Dormimos em Rudraprayag, passeamos e seguimos para Badrinath que fica rodeada de montanhas. O templo em Badrinath foi re-estabelecido por Sri Sankara que levou um nambudiri brahmana de Kerala (sua terra natal) para conduzir os rituais. Olhando para o templo e seus arredores, lágrimas caem dos olhos de todos nós. Ao redor estão flores várias e algumas kundas, piscinas de água quente natural. Dizem que existem rochas sulfúricas nos Himalayas, delas saem chamas de fogo e quando a água passa por essas rochas ela ferve e sai formando piscinas de água quente.

Os peregrinos tomam banho quente nessas piscinas apesar da baixa temperatura externa. É dito que Veda Vyasa passou longos anos em Badrinath e por isso ele teria o nome de Badarayana. Pouco além de Badri há uma vila chamada Mana, lá há a caverna de Vyasa, onde ele teria escrito o Mahabharatam com a ajuda de Ganesha. Além disso, foi ali que passaram os Pandavas e Draupadi a caminho de svarga-loka. Em Mana, com muitas flores ao redor, entre rochas, brota o rio Sarasvati. Emocionante e encantadora a beleza de Isvara! É tão fácil apreciar a sua grandeza e onipresença ali.

O samadhi é o momento onde desaparece a diferença entre o meditator, meditado e meditação, os três desaparecem e somente o Eu brilha. A própria mente torna-se uma com sat-cit-atma, assim como no arati, a câmfora torna-se uma com o fogo.

Visitamos ainda Joshimath, meditamos debaixo da árvore onde Sri Sankara meditou e visitamos o Math, o centro de estudos estabelecido por Sri Sankara e onde, desde seu discípulo Totakacarya até hoje, há um Sankaracarya responsável.
Voltamos para Rishikesh passando pelos Pancaprayag, lugares de confluência de 2 rios sagrados, como o Bhagirathi, Ganga, Alakananda, Mandakini, Pindara. São esses: Visnuprayag, Nandaprayag, Karnaprayag, Rudraprayag e Devaprayag, antes de chegar a Rishikesh. O objetivo da peregrinação é a apreciação da natureza absoluta do Eu – advaitam Brahman e da beleza, da grandeza e harmonia da natureza que é a expressão de Isvara.

 

Om tat sat

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