Swami Dayananda Saraswati sobre Comida


A Comida é Vegetariana

A filial de Coimbatore do Congresso Vegetariano Indiano (afiliado à União Vegetariana Internacional, U.K.) organizou a Sexta Convenção Nacional Vegetariana de 07 a 09 de Maio de 1999, no auditório Thiruchitrambalam da Universidade Avinashilingam Deemed, Coimbatore.

Pujya Swamiji foi convidado para inaugurar o Congresso no dia de abertura da Convenção.

Abaixo, estão reproduzidos alguns trechos da palestra de Pujya Swamiji.

O que é a comida? Só existe uma fonte. Não há outra fonte neste planeta. O Veda nos diz “Oshadhibhyo´nnam”. O que quer que você coma é chamado annam; adyate iti annam. E esta annam vem de oshadhi, das plantas. Não há outra fonte.

Se alguém tem que comer para sobreviver, então a comida nesta terra vem apenas desta fonte. Eu nasci com um estômago. Eu preciso de bio-energia. Eu não nasci com uma célula solar na minha cabeça. Eu tenho que comer e a comida vem de fora de mim. Se a comida está fora de mim, se eu sou uma pessoa programada, como um tigre ou uma vaca, eu posso obter comida da forma com que fui programado para comer. Se eu nasci com a capacidade da escolha, eu tenho que fazer a minha escolha. Eu não tenho escolha em exercer escolhas. Em todas as ações e comportamentos, eu tenho que exercer minha escolha e a comida não é exceção. Eu tenho que escolher.

A fonte da comida é somente vegetal. Se alguém come carne de vaca porque tem proteínas, todas as proteínas são retiradas da fonte vegetal apenas e de nenhum outro lugar. Você faz a vaca comer e depois você come a vaca. É dado a você escolher. Você tem esta grande escolha. Portanto, você pode comer a vaca ou fazer uma comida mais simples.

Eu não considero carne como comida. Carne pode ser uma refeição, mas não é comida. Mas annam; adyate iti annam, e annam é sempre Aushadham. Portanto, eu tenho que escolher. Como um ser humano eu tenho que ser responsável pelo que faço, porque eu não sou programado. E, se eu tenho que ser responsável, eu devo tomar cuidado com que faço quando eu como. Eu provoco dor em outros seres viventes?

Eu vejo uma coisa dentre os expoentes do vegetarianismo e dos ambientalistas. Eles estão preocupados apenas com sobrevivência humana. Eles consideram que a humanidade está em perigo. Eles levantam questões de economia. Se tenho que obter meio quilo de carne, quanto mais os animais tiveram que comer – definitivamente, deveria ser, no mínimo nove vezes mais. O animal gasta muito mais energia para converter a comida ingerida que é vegetariana em carne fresca. Esta é também uma razão econômica.

Algumas pessoas também apresentam razões de saúde. Na América, se alguém tem um ataque do coração, o médico vai dizer “de agora em diante, corte a carne de sua alimentação”. Para isso, a pessoa teve que ter um ataque do coração. O médico não diria no começo. Somente depois do ataque do coração, ele vai dizer “corte a carne da sua alimentação”. É incrível, mas está tudo no campo da saúde.

Eu não me importo com o campo da saúde. Eu não me importo com pessoas que falam da sobrevivência da humanidade. Esta não é a nossa cultura. Eu dou o mesmo direito de viver a uma árvore e a um animal. Eu não quero destruir nenhum deles. Eu nasci com um estômago, que é um sistema biológico e eu tenho que obter minha comida do exterior. Eu tenho que escolher a minha comida. Eu posso até não saber se eu realmente prejudico e se eu provoco dor em um organismo vivente.

Um argumento pode ser colocado que mesmo comidas vegetarianas que vêm das plantas também têm vida. Quem diz que não têm?

Minha comida está lá fora. Oshadhibhyo´nnam. Isto está estabelecido. Ela é, Sthavara, imóvel.