Bhagavadgita, cap.V, verso III


Trabalho de Vedanta apresentado por um dos alunos de Gloria Arieira da

turma de segundas-feiras(comentário de um dos versos da Bhagavadgita).

"Com a mente abandonando todas as ações, aquele que tem os instrumentos sob

seu controle permanece feliz na cidade de nove portões, como o habitante do corpo -

não agindo, tampouco provocando que ações sejam feitas." No capítulo IV, Sri Krsna

falou sobre o sábio, aquele que possuindo o Conhecimento, renuncia a todas as

ações impulsionadas pelo desejo, bem como ao apego aos frutos dessas ações, e

permanece feliz em si mesmo, em qualquer situação. Assim sendo, Arjuna

compreende que o sábio é um renunciante, que não faz ação nenhuma. Entretanto,

Sri Krsna termina o capítulo dizendo a Arjuna para se levantar e agir! Diante disto,

Arjuna fica confuso, pois se o sábio, aquele que tem o Conhecimento e é feliz em

qualquer situação, é um renunciante, como é que Sri Krsna lhe diz par agir?!

E então pergunta o que é melhor para o homem comum que quer adquirir o Conhecimento, uma vida de renúncia ou

uma vida de ação, ou seja, samnyasa ou karmayoga yoga?

O capítulo V desdobra esta questão, analisando o que são a renúncia e a ação às quais Sri Krsna se refere, a quem

se aplica uma e outra, como também quem é o renunciante. No verso 13 é dito: "Com a mente abandonando todas as ações, aquele que tem os instrumentos sob seu controle permanece feliz na cidade de nove portões, como o habitante do corpo - não agindo, tampouco provocando que ações sejam feitas." Com esta afirmação, Sri Krsna aponta o que significa o abandono às ações e como fazer isto. Ele diz: "Com a mente abandonando todas as ações"

- o abandono aqui referido é mental, conseguido através da discriminação e da verdadeira noção de quem ele é . Aquele que tem a mente tranquila e livre da falsa noção de que ele é o agente de ação, abandona (renúncia) a todas as ações como sendo feitos seus, assim como renuncia à noção de ser ele o agente da ação, ou a causa de ações por parte dos outros. Esta pessoa consegue, desta forma, ver que não é ele quem age, ele não faz nada, portanto, ele vê a inação na ação. "aquele que tem os instrumentos sob seu controle"- os instrumentos são os instrumentos da ação e percepção, ou seja, da fala, da visão, do tato, etc. Aquele que tem a mente tranquila consegue ser o dono de seus instrumentos, e não ser dominado por eles, seguindo seus impulsos. "permanece feliz na cidade de nove portões, como o habitante do corpo" - a cidade de nove portões é o corpo.

Os portões são os canais de comunicação com o exterior, como os portões de uma cidade.